
Um novo formato de compressão de DVD procura evitar a todo
custo os processos judiciais dos seus antecessores. Apresenta-se
publicamente como um sistema de distribuição que cobra pelo
que oferece.
Se
como esperam seus inventores, o DivX - um sistema condenado
pelos tribunais estadounidenses porque favorecia a pirataria
dos filmes em DVD - chegará a converter num formato legal, até
os grandes estudos de Hollywood poderiam começar a usá-lo para
distribuir seus títulos.
Que é o DivX?
É um codec, os codecs são usados como compressores e descompressões
de variados tipos de dados, especialmente úteis em aqueles dados
como o som e o vídeo que consomem grande quantidade de espaço.
Exemplos conhecidos de codecs são MPEG que converte sinais analógicas
de vídeo em arquivos comprimidos de vídeo ou o RealAudio que
converte sinais analógicas de som em som digitalizado.
Os codecs podem admitir streaming ou não. Os codecs
que permitem o streaming, são aqueles que permitem a execução
enquanto estão descarregando, como acontece com o RealAudio
por exemplo. O DivX atualmente não permite o Streaming vídeo.
Porém sobre tudo o motivo pelo qual o DivX é tão conhecido é
pela sua alta capacidade de compressão já que pode converter
um arquivo ".vob" (Formato de DVD) usando o DivX codec
num arquivo ".AVI" que ocupe entre 8-10 vezes menos
que o original ".vob" e com uma perda de qualidade
mínima.
O
prometido sistema, do qual já circula a versão II, permite comprimir
um vídeo de alta resolução de 2 horas num arquivo que, atraves
de uma conexão (ADSL ou similar) descarrega-se da Internet em
45 minutos ou menos. E funciona tão bem que já descarregaram-se
12 milhões de copias do software e inumeráveis exemplares digitais
de filmes recentes como "Matrix" ou "Os anjos
de Charlie", disponíveis neste preciso momento em vários
sites clandestinos.
Jerome Rota, o engenheiro de 27 anos autor do DivX,
e seus sócios, os também franceses Joe Bezdek e Eldon Hylton,
montaram recentemente a sociedade Project Mayo, cujo destino
é explorar o potencial comercial da sua invenção.
Em setembro, a companhia recebeu um financiamento de 5 milhões
de dólares e, o mês próximo, lhe deveriam chegar entre 7 e 10
milhões mais. Em tempos de vacas não precisamente gordas para
os capitalistas de risco, estas cifras resultam bastante impressionantes.
Mas por que tanto interesse? Porque, segundo Rota, ganhar dinheiro
com esta tecnologia não se opõe às regras
dispostas
pela lei. Para eles, o DivX é, basicamente, um sistema de distribuição
a prova de juízes: uma vez acertado o formato, os vídeos só
estariam disponíveis a comercialização por uma
quantia de dinheiro, transferido por um cartão de crédito. Perto
da metade do montante da transação irá a parar nas mãos dos
gestores da infraestrutura - Project Mayo & DivX Network
-, e o restante, aos bolsos dos autores do vídeo.
Rota e companhia não pensam só no intercambio de
filmes. Também esperam trabalhar com os realizadores que querem
se fazer de um nome e esperam vender seus produtos obviando
a intermediação dos grandes estudos. E, por que não, com qualquer
usuário que queira transferir um vídeo de um lugar a outro.
Assim, os possíveis clientes do novo sistema poderiam ser, por
exemplo, as agências de publicidade que necessitam mostrar aos
seus clientes um antecipo dos avisos realizados para eles, ou
as pessoas que queiram enviar aos seus amigos e familiares o
vídeo do seu casamento.
Se
todos estes experimentos funcionam bem, parece verdade que,
no fim, os inventores do DivX batam a porta dos grandes estudios
para colocar-se como os melhores "repartidores"
digitais para distribuir qualquer tipo de filmes. E asseguram
que, no caso que de aceitar o trato (coisa que ainda não aconteceu),
Hollywood haveria conseguido que os autores do seu pior pesadelo
convertam-se nos melhores sócios jamais sonhados.
Na análise prévia ao hipotético acordo, a industria
da cinematografia deverá ter em conta que já fazem anos que
seu parente, a indústria discografia, não pensa em oura coisa
que em desativar o Napster, primo irmão do DivX.